quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Às voltas com a vontade

Se palavras te tocassem e percorressem como meus dedos
Saberia a vontade de você que mora aqui.
Permanece em desassossegos.
Pensa exausta no que há de vir.

Espera o próximo "olá".
Se entristece com o "tchau" titubeante.
Imagina e reconfigura as cenas a desenrolar.
Agarra o sabor de um instante.

Tenta encontrar palavras que os olhos já disseram.
Sofre segundos eternos em saudade.
Anseia oferecer o que outros não quiseram.
Se desfaz, refaz e renasce, mais lapidada vontade.




sábado, 1 de dezembro de 2012

Às voltas com a menina cicatrizada

Vísceras por todo lado.
Fragilidade ensaiada.
Sua força repousa na coragem de ser tudo e qualquer coisa, ou nada.
Experiências que, ao contrário do que possa temer, te fizeram mais limpa que a maioria.
Cada vez mais consciente de si, ou pelo menos das vontades tempestivas.

Te amar dói, você sabe.
Não tomar um segundo pra pensar te torna perigosa.
Mas a sua doçura é tão evidente quanto inconstante.
Sua companhia conforta por concordar que a beleza é rara, temos sorte de a encontrar de vez e quando.

Quis te cortar de mim como a temer uma aventura que possa machucar.
E machucou.
Mas a dor nos transporta por entre o medo e revela coisas que importam, que não se perdem, que fazem acreditar que o amor existe.

Permanecem.

Permaneça!

Eu te amo como à parte menos planejada de mim.
Pois foi esse lado revelado que me atou a você de uma forma irreversível.

Eu continuo a lamentar a distância, mas feliz pelo seu reequilíbrio.

A saidera nunca vai chegar pra nós, acredito.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Às voltas com o irresoluto

Talvez eu nunca deixe de te querer.
Esticar um copo, um olhar, uma desculpa para conversamos um pouco mais.

Esperei demais.

E seu eu tivesse desatado as mordaças da vontade?
Provavelmente, não teria sido diferente.
Vou voar, mas, de alguma forma, vou ter seu olhar e seu abraço como alicerces em ruínas.
Vozes em consonância a ecoar.






quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Luzinhas irritantes

Podia sentir a brisa tocar a pele, atravessar os poros e prometer tranquilidade aos sentidos.
Talvez nunca tivesse se deixado envolver tanto pelas brumas.

Esperava que os pés decidissem por si para onde ir, ou que ao menos se movessem.
Cobria o corpo inteiro com o cobertor, que pesava.
Fechava os olhos e torcia para que tudo lá fora desaparecesse.

As luzes de natal, irritantes, nunca fizeram sentido. Agora, menos ainda.
Ofuscavam o quanto de ruim tinha no mundo, a maioria sem dar a mínima.

Gente torpe correndo de um lado pro outro, lotando sacolas, disputando quinquilharias.
Escolhendo o branco do réveillon, como se roupas pudessem suavizar manchas horrendas no caráter.

Sorrisos, abraços, ressentimentos encobertos.

É, a pior época do ano se aproximava.

Teria de se encher de esperanças levianas de novo.

Tempo de se servir de hipocrisia, festejar indiferença à maldade.






segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Tempo rei, transformai.

Para o tempo, e repara.


Não tem tempero no meu dia

Faz folia, e deixa cinzas.




"Pra dilatarmos a alma,
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais 
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


Às voltas com o receio

O medo, sempre ele!
Se eu caminho pra enfrentar mazelas, das mais diversas e contextos que venham, é a isso que me propus.
Tenho segundos de sorrisos para compensar minha labuta.
Se encantar, e se encantoar.
A força que sinto aqui, me leva em frente, nunca retroage.
No peso da decisão.
Sigo, sinto, sempre.





domingo, 11 de novembro de 2012

Às voltas com o pedido

É. Esse sorriso que encanta é um pedido de ajuda.
Ajuda pra que faça comigo desse mundo maluco, algo mais bonito.
Para que faça da exceção a regra.
Do medo, o absoluto.
Da madrugada, a poesia.
Da retraída, a moleca.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Às voltas com os tropeços

E para buscar dentro, no profundo, todo medo que há de ter. Toda essência buscada, almejada, e, ao mesmo tempo, evitada. Pois eu já aprendi que a liberdade não tem volta. Tem começo, mas, [que bom!] não tem fim.

E aí, nessa quimera desvairada, não haveria mais canto, escombro, escada. Desfarinharia as caixinhas, não seria mais matéria, nem gozo, nem tempo, nem porquê. Voaria sem alto, sem destino, sem parecer.


Aí então controle nenhum eu teria. Que medo!  O que, quem, então eu seria? Desassossego.  Mergulha fundo, submerge calvo, e descalço.  É certeza, é profundo. É meu mal e meu mundo.  É querer construir sem ter o partir de onde. É saber os muros, sem saber a fonte.  

Não sou promessa, nem consolo, nem nunca fui. É saber-se nada e querer tudo. É perder-se na madrugada, e querer ter lugar certo no mundo.  É retrair dúvidas, e regurgitar entranhas. É saber-se alma, e sentir-se estranha. Bactéria. Incômodo. Asilo. Esperança. Aniquilo. Espero. Admiro.

É paraíso em mente, é planar no fundo. É subtrair o recente, e riscar todo e qualquer futuro. É descobrir, é andar, é olhar, é sorrir.  É não mais querer levantar, mas saber que, enquanto e ainda, há muito mais lambreca por vir.

Pulo, pausa, retrocesso.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Às voltas com a catarse

Quanto mais a concha aperta, mais força há de se criar para sair.
Dissipa as nuvens, vê as cores, solta os risos, respira a calma.

Emerge. Se energe. Renasce. Recria. Cria.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Fica, vai.

Volta, me sopra a alegria, sem novidades.
Mais do mesmo. Nos tocamos aos poucos. Sucumbimos à embriaguez, à saudade.
Quão sacana você tem que ser para que eu peça que vá embora?

Se demora, disfarça, vai ficando, se ajeita no lugar que fiz teu.
Sem mais palavras, pedidos, desculpas.
Sabe que eu quero que fique, mas que não vou pedir pra ficar.
Me prometi despedidas de abraços longos, sem último beijo implorado.

Amanhã posso virar a esquina e esquecer que te esperava.

Dormimos a última noite abraçados, como amigos, os sonhos tratam de juntar os corpos que se tocam com uma sofreguidão quase tímida.

Ah, outro dia maldito que chega, nos desnorteia. Joga a realidade e a ressaca na cara, cobra a consciência.

Vai, fica. Vamos acender o baseado, preparar a cerveja, o rango, o filme e curtir a tranquilidade de estarmos juntos.

Fica, vai.



Às voltas com a fuga

Noite que abafa a correria do dia, condensa emoções em palavras.
Ah, vontade de estar em outros lugares, vidas, instantes.
Desejo incontrolável de fugir da mesmice sem sentido, fugir de si.
Tirar essa cara sem graça e vestir gargalhadas.
Ser criança. Horas acariciando águas, decifrar mundos tão simples.
Vencer os próprios desafios, andar na calçada sem pisar nas linhas.
Nada era sempre ou nunca mais.

Dançar.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Às voltas com o fim?

Sabia que cada momento daqueles era especial, no instante em que aconteciam.
Fechava os olhos e parecia não acreditar na sorte do encontro.
Caminhava naquela direção com passos cada vez menos incertos, deixava cair medos e ansiedades. 
Se entregava à alegria.

Agora, na memória, eles passam rápido. Olhares, risadas, conversas, carinhos, sonhos partilhados, pureza, horas com os corpos enrolados. O tempo passava devagar, parecia confabular para que tudo se desenrolasse com delicadeza.

Agora, uma música suave toca ao fundo, tempo esparso, batida tranquila. As cenas se encadeiam num trailer. Pausas, brancos.

Empolgação frustrada de quem teve nas mãos o roteiro para um longa perfeito.
Folheia as páginas, visualiza cores, luzes, atos, montagens.

Se perde.

Suspira, as guarda na gaveta, aceita que não há mais nada a fazer, só esperar.

domingo, 7 de outubro de 2012

Dúbio

Você ressonava. Me tranquilizava, e ao mesmo tempo preocupava.
Quantas vezes mais eu teria que velar pelo seu sossego?
Nenhuma obrigação me impelia, só a vontade de te ver desacelerar, dormir, satisfeito da loucura.

O suficiente não é fácil de alcançar. Até onde temos que ir para que a abstração sobreponha o tédio?

As pessoas não são produtos, não dá pra avaliar a embalagem, os componentes, e decidir se vale a pena consumir.

Os sorrisos se alimentam, os olhares se compreendem, os sonhos se entrelaçam, as carícias se completam.
Quero você aqui, perto, mas enquanto e o quanto queira estar.

Nunca achei que seria fácil, mas que o esforço não esfarele a paz.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Às voltas com o caos

É fácil se perder nos pensamentos. Procurar cura complicando bem mais que o necessário.
Uma atitude só pode calar um dia inteiro de lamentos.

Quando o caos ameaça imobilizar e engolir, os caminhos começam a parecer menos pedregosos, mais atraentes que ficar sentada na beira olhando, só pensando nos próximos passos.

Sob a desordem, a força se expande, se ajuda, se sobressai.

As respostas estão sempre por ali, mas nunca vão extinguir as perguntas. E que tal esmiuçar e resolver uma de cada vez?

Atenta ao todo, sem se descuidar das partes, do faz, se faz, desfaz e refaz, mas sempre faz.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Mais uma.

Sem brilho nem coragem.
Paixão ou certeza.
Impulso nem vontade.
Sem orgulho ou caminho.
Nem gargalhada, nem arrepio, nem novidade.
Desce mais uma, que sóbria, nem a minha própria companhia anda tão interessante.

De repente, você.

"É tão leve. Sem peso, sem pressa, sem pressão, sem culpa, sem medo", ele disse. Como se lesse o que meu suspiro não sabia dizer.
E se naquele dia eu não tivesse esquecido o isqueiro em casa e me virado várias vezes para a mesa ao lado, sorrindo, pedindo o isqueiro emprestado? Como foi que começamos a conversar na fila para o banheiro daquele bar? Estive lá por tantas vezes, conheci tantas pessoas irrelevantes, e como numa ocasião clichê do destino, nos encontramos.
Passado o efeito do vinho, das cervejas e da maria, só me lembrava do seu olhar forte, do seu jeito doce.
Tão bom ter aparecido.
Por acaso. No momento exato.
Depois das experiências frustradas, dos beijos perdidos, do amor desperdiçado, da descrença inevitável.
Estou feliz por estar aqui. Nenhum medo vai impedir a entrega.
Nenhum passado vai borrar a certeza tão simples.
Você está.

Às voltas com o mesmo

Descrever a alegria não é fácil. Parece que o texto não faz jus aos momentos. Será por isso que a inspiração e a vontade de traduzir sentimentos em palavras só aparece na melancolia?
Julho de 2012, Cúpula dos Povos no Rio de Janeiro. Tanta empolgação por conhecer, ouvir, tocar e aprender mais de perto sobre lutas populares do mundo afora.
Lágrimas de alegria, êxtase na Marcha Geral dos Povos. Maravilhoso não se sentir só, nem tão minoria assim, no meio de quase 100 mil pessoas lutando por liberdade, direitos, tranquilidade, respeito.
Parece que as coisas boas vem em combo, assim como as ruins. Depois da viagem incrível ao Rio, a escolha para fazer parte da cobertura do Rondon no Pará.
Mesmo tendo corrido tanto atrás para conseguir, ainda parecia um sonho arrumar as malas para viver uma experiência tão diferente, tão intensa.

Ver as belezas naturais da Amazônia, experimentar comidas típicas, dançar os ritmos, conhecer pessoas e suas estórias, viajar em navios, caminhar sobre palafitas para visitar ribeirinhos na Ilha do Marajó, trocar saberes, e, amadurecer a visão e o trabalho como jornalistas em formação.
Aprendizado e lembranças para toda a vida. A cada momento, uma troca cultural, impactante e transformadora.
Tanta transformação, que eu volto ao meu mundo, à minha rotina, e à minha vida, desnorteada.
Obrigações que parecem sem sentido, vontade de fazer as malas e tornar cada dia um dia de Rondon.
Um dia para conhecer, aprender, ajudar, trocar e mudar.
É difícil voltar aos trilhos depois de se sacudir tanto.
É complicado retomar a paixão pelo que agora parece corriqueiro demais.
É quase impossível vestir as mesmas roupas, caminhar pelos mesmos lugares sendo alguém tão diferente.
É triste ter que se esforçar para cumprir tabela.
Redescobrir a paciência de trabalhar e esperar pelo tempo de colher os frutos.
Dificílimo se reconfortar.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Como eu queria...

Como eu queria aprender a silenciar essa vontade errante.
Olhar-te com a indiferença aos mal quistos.
Não me sobressaltar com seu toque sem metafísica.

Contentar-me com a admiração à distância.
Não esperar um desenrolar que nunca virá.
Não acreditar num sentimento que não sei se existe.

Me indignar com a ausência de reciprocidade no desespero e urgência em te querer.
Me aquietar na certeza de que isso vai passar, com a paciência dos sábios.

Saber o que dizer.

Como eu queria não ter que fazer nada disso, e viver meus caminhos sem que a sua existência me pesasse tanto.


sábado, 9 de junho de 2012

No sorriso, lágrima.


"De tarde eu quero descansar, chegar ate a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou...

Existe algo que diz,
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem
Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos."

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Às voltas com as palavras

Inconsciente. Imagens, sons, cheiros, gostos, texturas, palavras.
Se fazem e desfazem em mim.

Inspiro sonhos, respiro instantes.
Um momento em que viver já não dói.

Na certeza de que instantes são tudo que me resta.
Tudo me escapa e tudo me tem. Me falta, corrói.

Verdades das quais vivo, procuro.
Viajo entre medos e nos caminhos procuro respostas.

A única certeza é que só nas palavras me encontro.
Só escrevendo me construo.
Nas palavras me derramo, faço, vivo, existo.