quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Luzinhas irritantes

Podia sentir a brisa tocar a pele, atravessar os poros e prometer tranquilidade aos sentidos.
Talvez nunca tivesse se deixado envolver tanto pelas brumas.

Esperava que os pés decidissem por si para onde ir, ou que ao menos se movessem.
Cobria o corpo inteiro com o cobertor, que pesava.
Fechava os olhos e torcia para que tudo lá fora desaparecesse.

As luzes de natal, irritantes, nunca fizeram sentido. Agora, menos ainda.
Ofuscavam o quanto de ruim tinha no mundo, a maioria sem dar a mínima.

Gente torpe correndo de um lado pro outro, lotando sacolas, disputando quinquilharias.
Escolhendo o branco do réveillon, como se roupas pudessem suavizar manchas horrendas no caráter.

Sorrisos, abraços, ressentimentos encobertos.

É, a pior época do ano se aproximava.

Teria de se encher de esperanças levianas de novo.

Tempo de se servir de hipocrisia, festejar indiferença à maldade.






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