Talvez nunca tivesse se deixado envolver tanto pelas brumas.
Esperava que os pés decidissem por si para onde ir, ou que ao menos se movessem.
Cobria o corpo inteiro com o cobertor, que pesava.
Fechava os olhos e torcia para que tudo lá fora desaparecesse.
As luzes de natal, irritantes, nunca fizeram sentido. Agora, menos ainda.
Ofuscavam o quanto de ruim tinha no mundo, a maioria sem dar a mínima.
Gente torpe correndo de um lado pro outro, lotando sacolas, disputando quinquilharias.
Escolhendo o branco do réveillon, como se roupas pudessem suavizar manchas horrendas no caráter.
Sorrisos, abraços, ressentimentos encobertos.
É, a pior época do ano se aproximava.
Teria de se encher de esperanças levianas de novo.
Tempo de se servir de hipocrisia, festejar indiferença à maldade.
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