Descrever a alegria não é fácil. Parece que o texto não faz jus aos momentos. Será por isso que a inspiração e a vontade de traduzir sentimentos em palavras só aparece na melancolia?
Julho de 2012, Cúpula dos Povos no Rio de Janeiro. Tanta empolgação por conhecer, ouvir, tocar e aprender mais de perto sobre lutas populares do mundo afora.
Lágrimas de alegria, êxtase na Marcha Geral dos Povos. Maravilhoso não se sentir só, nem tão minoria assim, no meio de quase 100 mil pessoas lutando por liberdade, direitos, tranquilidade, respeito.
Parece que as coisas boas vem em combo, assim como as ruins. Depois da viagem incrível ao Rio, a escolha para fazer parte da cobertura do Rondon no Pará.
Mesmo tendo corrido tanto atrás para conseguir, ainda parecia um sonho arrumar as malas para viver uma experiência tão diferente, tão intensa.
Ver as belezas naturais da Amazônia, experimentar comidas típicas, dançar os ritmos, conhecer pessoas e suas estórias, viajar em navios, caminhar sobre palafitas para visitar ribeirinhos na Ilha do Marajó, trocar saberes, e, amadurecer a visão e o trabalho como jornalistas em formação.
Aprendizado e lembranças para toda a vida. A cada momento, uma troca cultural, impactante e transformadora.
Tanta transformação, que eu volto ao meu mundo, à minha rotina, e à minha vida, desnorteada.
Obrigações que parecem sem sentido, vontade de fazer as malas e tornar cada dia um dia de Rondon.
Um dia para conhecer, aprender, ajudar, trocar e mudar.
É difícil voltar aos trilhos depois de se sacudir tanto.
É complicado retomar a paixão pelo que agora parece corriqueiro demais.
É quase impossível vestir as mesmas roupas, caminhar pelos mesmos lugares sendo alguém tão diferente.
É triste ter que se esforçar para cumprir tabela.
Redescobrir a paciência de trabalhar e esperar pelo tempo de colher os frutos.
Dificílimo se reconfortar.
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